Medo de Palhaços

É muito comum ouvir-se falar neste tema. Eu, como palhaço e como devem imaginar, lido com este assunto diariamente. Então, resolvi escrever um artigo sobre este tópico! O porquê, como lidar e ultrapassar o medo de palhaços, dando aqui o meu feedback e experiência.


As crianças e adultos não costumam ter medo do Palhaço Sorriso. Palhaço Sorriso contribui para superar as fobias.

O porquê?


Na maior parte dos casos, este medo ou receio vem da infância e de um primeiro contacto ou, até, é passado inconscientemente pelos pais ou pessoas próximas. As crianças são como esponjas e apreendem e espelham muitas das características daqueles que as rodeiam. Quando se fala de medo de palhaços, também se pode falar de medo do Pai Natal e de outras figuras fantasiadas. Vejamos... Um bebé ou uma criança está habituada diariamente a conviver com seres humanos, com uma determinada aparência física. Quando lhe surge uma figura diferente, extravagante, que foge drasticamente à imagem a que está habituada e com a qual se sente familiarizada, há um botão no seu cérebro que liga o seu instinto natural de sobrevivência. Esse é um momento delicado, pois essa experiência vai determinar a sua empatia e relação com "o ser humano de forma diferente".



Como lidar e ultrapassar o medo de palhaços?


Ao longo dos anos, os pais têm-me sempre perguntado o que tenho eu de diferente, pois o filho costuma ter pânico de palhaços e que isso comigo não aconteceu ou que isso mudou no momento em que o filho me conheceu.


A verdade é que sempre tive uma sensibilidade apurada e um cuidado extremo na forma como faço a primeira abordagem. Quando me apercebo de que uma criança chega ao espaço em que estou, que está desconfortável com a minha presença, nunca me aproximo. O contacto tem de acontecer com naturalidade. A naturalidade é o truque. Se a criança está com receio, ela vai precisar de tempo para se habituar, para observar a minha atitude e a atitude das outras crianças para comigo, para ficar confortável, para perceber que é seguro e divertido. Eu não a abordo! Ela, quando se sentir à vontade e confiante, procurar-me-á. O máximo que faço é acenar-lhe a uns metros de distância.


Palhaços mostram como as crianças podem ultrapassar a fobia de palhaços. Um artigo sobre o porquê e a associação dos palhaços aos filmes de terror.

É muito comum os pais, familiares e educadores de infância tentarem forçar o contacto e a aproximação, dizendo para não terem medo, o que tem geralmente o efeito inverso: faz aumentar o receio da criança, piora a situação, podendo levar a um estado de pânico. Quando dizemos a uma criança "não tenhas medo" numa situação em que ela já se sente desconfortável, ela poderá receber a informação de forma diferente: "atenção, isto pode ser perigoso". Muitas vezes, com esse tipo de alertas, é sugerido inclusive um receio que, muitas vezes, a criança nunca sentiu ou sentiria.


Em alguns casos, uma má experiência num primeiro contacto na infância, pelos motivos anteriormente descritos, pode contribuir para o desenvolvimento de fobias, que são transportadas até à fase adulta e que devem ser ultrapassadas, como quaisquer outras, com a ajuda de profissionais especializados, como psicólogos e outros terapeutas.


O falso medo de palhaços

São famosos e populares os filmes de terror com palhaços entre a comunidade mais jovem. É recorrente assistir-se precocemente a este tipo de filmes, quando as crianças não têm ainda a maturidade suficiente para os ver, passando depois a associar o receio e o susto à figura do palhaço.


PALHAÇOS ASSASSINOS | FILMES DE TERROR | Palhaços mostram como as crianças podem ultrapassar a fobia de palhaços. Um artigo sobre o porquê e a associação dos palhaços aos filmes de terror.

Se é certo de que o desconforto de assistir a um filme de terror pode assombrar a nossa memória durante algum tempo, acentuando fobias ou sugerindo novas, é importante salientar que o poder sugestivo dos filmes de terror leva muitas vezes não propriamente ao desenvolvimento da fobia, mas ao instaurar do preconceito para com os palhaços.


Muitas vezes, desconstruo o preconceito às crianças mais velhas, dizendo-lhes: "da mesma forma que há pessoas boas e más, também há palhaços bom e maus. Não se esqueçam nunca de que os palhaços são pessoas". Esse preconceito estereotipado e redutor, muitas vezes ofensivo para com os profissionais da animação que estão num evento a dar o seu melhor, é errado, injusto e deve ser combatido, nomeadamente desconstruindo a ideia de que é "fixe" dizer que os palhaços são "assassinos" e passando a valorizar o lado colorido, alegre e, ao fim e ao cabo, contrário - e que é a verdadeira natureza - do que é ser-se palhaço. Para rematar e completar, gostaria apenas de vos deixar uma outra ideia: uma coisa é não gostar de palhaços. Outra diferente é ter medo de palhaços. Desconfio que, muitas vezes, há quem as confunda.




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